quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Faniquito

Sinto bolir um faniquito eterno
centrado na boca do ventre
dá um nó na veia cava
e me faz ranger os dentes
                                       [ Resolvi procurar um médico]

-Doutor, estou com piriri na essência
Tudo que miro germina em revanche
meu coração sapateia de costas
ao receber toda a avalanche
de sons, toques e imagens perigosas
de copos, peitos e homens vazios
de rebentos sem amor
e versos sem pavio

My dear doctor, ayuda me por favor!
estou com impassividade aguda
tudo que reluz transformo em esgoto
e o que é mangue transformo em piscina
faço o vinho virar água
e a água virar sangria.
Me de um remédio doutor!
para curar meu faniquito
de inquietude da vida
e fraca filosofia.

                                                 [O médico me olhou sisudo]

-Publique um livro de poesia!


                                                                                                  Dedicado a Eduardo Marciano

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Estudos

Sob a luz de um lampião de esquina.

Sob a Luz de um lampião de esquina

O circulo de giz caucasiano.


domingo, 4 de setembro de 2011

Ave poema

Canta ó musa! a cólera dos não-poetas!
Filhos do dia-dia, que incontáveis males trouxe às hostes dos Josés
Libertai esse pedaço de nada... Hóstia nossa de cada dia!
Transforma esse pão em um fruto verde
"pois a cor verde é a mais verde que existe".

Ave Maria dona de casa!
Ave Joana com teus filhos nas mãos!
Ave Angélica e teus olhos em lágrimas!
Ave Geni e seu corpo no chão!
Ave Baleia desidratada!
Ave a boca de Patrícia Galvão!
Ave as mulheres no meio do nada!
Aves que rasgam o meu coração

Verso, mostra que és maior que nossos poetas de salto
valei-nos de toda tua grandeza, além do além de teus fazedores
Livrai-nos do mal que existe nas águas de Narciso,
Venha a nós, ao nosso jardim
que seja feita toda a tua vontade:

Amem

muito!

sábado, 27 de agosto de 2011

Rascunhos e estudos. Novos e velhos processos desenhados


O Homem Vitruviano ou a Dama e o Capitão
                                                     

Antígona

Sob a Luz de um Lampião de Esquina

Sob a Luz de um Lampião de Esquina

sábado, 13 de agosto de 2011

Labirinto (estudo)

O novelo vaga por um labirinto de véus
trazendo nas linhas o meu falso regresso
o vermelho da minha adaga é a cor do progresso
e a cabeça da fera carrego como troféu

Meus corredores são os arranha-céus
as rinhas, as leis, o asfalto e o concreto
um cinzeiro cheio é o que resta do verso
e meu tédio é um minotauro de papel

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Direção.

Sou quem busca um peixe dourado nos charcos
repleto de mofo em minhas chagas molhadas
escuto na floresta bezerros chorando
caminham em marcha sem ter um pastor

Os olhos embriagados de vertigem
flanam pela sombra da corda-bamba
por onde me equilibro carregando
um estandarte de idéias esquecidas

Ao romper o ventre pálido da minha mátria
manchado de sangue, versei gritos secos
cirandei meus olhos em volta do mundo
e vi que nasci quando a esperança morreu

Rosa das quatro setas vadias,
apontai uma direção a esse povo perdido!
nômade na veneta e sofrido na memória
nosso trópico de farsa,
sul do mundo...

vóssa casa.


Dedicado a Pedro Augusto Pinto, meu flâneur preferido.

Carnaval (Rascunho)


sábado, 30 de julho de 2011

As diferentes poesias nos diferentes espaços (Estudo poético sobre a experiência contemplativa em São Paulo e no Rio de Janeiro.)

Foto de Pedro Ogata
Deitado em tua cama me assustei ao perceber que me esforçava muito para tentar guardar teu rosto. Ás vezes, ele me fugia da memória... Ia céu acima, junto com a fumaça dos tantos cigarros amassados que eu colocava para dentro do corpo. Hoje eu percebi que não só consegui guardar teu rosto, mas roubei teu olhar que na cor refletia a franja verde das encostas cariocas. Sinto saudades do seu Rio de Janeiro que foi meu também por pouco tempo... A gente seguia dançando na tua cama, e enquanto a gente rolava para lá e para cá mumunhando nossas mandingas e malícias, teu lençol fazia dobrinhas e desenhos suados. Agente parou o tempo com beijos perfeitos de uma paixão rápida. Paixão que foi suficiente, mas que carregava consigo a vontade de muito mais.
Atento, olhei estrangeiro o Rio carioca e seus máximos detalhes perdidos que eu, “paulistano da gema”, poderia conseguir fantasiar. Tive uma primeira impressão estrangeira da "bela capital", que até agora, mesmo de volta a rotina, não conseguiu ser superada por algo mais consolidado nos meus caprichos racionais: Sigo acreditando que a poesia para o carioca é mais fácil de ser enxergada.
Ao sairmos da Rodoviária, o motorista cortava uma comunidade por umas ruas bem tortuosas, e eu fiquei tentando gravar na cabeça aquele dia amanhecendo de dentro da janela do ônibus. Em seguida, ele entrou em um túnel, e estávamos na cidade maravilhosa. A zona Sul do Rio de Janeiro.  A areia repleta de gente abrasada, o concreto antigo, o concreto restaurado, o andar dos cariocas, a maresia abraçando o calçadão de Copacabana no fim da tarde, o americano loiro que caminha com corpo todo queimado em Ipanema, o menino favelado que segue brincando e sofrendo na areia da praia, o pão de Açúcar que aparece do nada no meio da visão de um passante, um Cristo que abraça, ao mesmo tempo, a maravilha da Zona Sul e as favelas que seguem pencando mais perto do céu e muito longe do paraíso.
Você caminha por uma cidade extremamente urbana, cheia de gente de todo o canto, desigualdade para todos os lados, violência paralela aos takes das novelas globais que, às vezes, só de passar pelo calçadão você já enxerga. O cheiro de esgoto que vem de repente, os bueiros que explodem e etc... Mas ao mesmo tempo, a natureza e muito da história do nosso povo está ali à vista. É você olhar, andar por um lugar e lembrar uma música que você escutou que falava dali, de um poema, de uma fotografia ou de uma história que cheia de lirismo segue contando a vida desse povo. Para aquele que busca inspiração, e for capaz de não passar batido em meio a tudo isso, essa musa está ali o tempo todo. Em São Paulo, a gente tem que lutar por essa poesia, e se forçar a encontrar ela em um céu que a gente não enxerga, mas vai sonhando com ele, porque os arranha-céus são muito altos e impedem a gente de vê-lo, nos trambolhões cheios de gente que são os nossos ônibus e nos trombões que a gente leva quando dá a hora do Rush. 
Rolando sozinho na minha cama, eu não me assusto com nada. Está tudo muito bagunçado para eu tentar guardar alguma coisa. Nada pode me fugir da memória... Vôo céu acima, até o limite anuviado de fora do meu corpo, mas tenho que voltar logo, se não eu não acordo de manhã. Hoje eu percebi que não consigo guardar meu rosto, não sei meus traços de cor. Fui roubado no ônibus, levaram a cor dos meus olhos e por isso eles ficaram assim tão brancos e vazios.
Caminho tranqüilo no encalço das avenidas largas dessa cidade explosiva repleta de olhos frios. Cidade que em meio a suas tantas belezas a principal é a contradição que perfuma o ar em seu estado mais geral e pleno. Contradição que não é dada somente pela questão de classe, mas também pelo formato dos rostos, expressões e vestimentas de seus residentes... Pelos holofotes, pelas poucas árvores, pelo moderno e novo vagando no espaço atemporal cinzento. Sua pressa concreta em meio aos não-lugares desse grande lugar, que reflete essa minha São Paulo porão do mundo. Nervos de aço do Brasil. Maternidade de gente que batendo perna na Praça da Sé segue em rebanho atrás da estrela Dalva da sobrevivência, que até hoje é prometida no nosso salvaguardado muquifo do progresso.

Dedicado a mulher carióca que conhecí. Tão típica...

sábado, 23 de julho de 2011

Estudo (poema ainda sem nome) I

Meus olhos embriagados de vertigem
flanam pela sombra da corda-bamba
por onde me equilibro carregando
um estandarte de idéias esquecídas

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Poema para esse ano. (estudo... primeira metade)

Meu coração de janeiro
o ventre quentinho de sol
e a boca cheia de promessas

Fevereiro beija meus lábios
sou serpentina girando no ar
suor, batom e cachaça
refletem os olhos de um máscarado

Março em meus olhos
o rosto melado de sal
e a boca cheia de promessas

Abril enrola meus cachos
sou um céu azul-clarinho
nuvens, cascas e folhas secas
cobrem o coração de um viajante

Meus dedinhos de maio
são mãos que trabalham.
E a boca mastiga promessas

Junho me chama para dançar
sou fogo esquentando suas mãos.
Frio, sardinhas e vinho quente
abraçam meu peito roceiro

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Trechinho de " A dama e o Capitão"... criando nas oficinas do vento. (estudo)


"O ator caminha tranqüilo até uma cadeira que está parada no meio do palco, senta-se, e diz:
Com licença queridos... Agora quem fala é o ator....
A onde está você? ( o ator fecha os olhos e permanece sentado) A verdade é que desde que o dia apareceu, nosso capitão sumiu dessa história. Foi embora. Se esfumaçou. Assim que a noite se foi, ele foi junto, e agora o ator não sabe mais o que fazer.
(pausa longa)

(entra caminhando pelo palco o espectro de um capitão)

Bate na proa do meu barco
uma onde de m'água salgada
as estrelas são carpideiras
e a lua chora sangria

Meu coração já sal
escuta um canto nas veias
e a sereia veste uma anágua
com algas da maré-cheia

Ele continua aqui, não é? palpitando atrás daquele sol imenso que sempre vai estar lá em cima... (o ator de repente se vira e veste um chapéu e dá uma looooonga gargalhada de velho lobo do mar, e aos poucos vai cobrindo o rosto com um chapéu amarelo até voltar a ser o ator)
Ator:
Não interessa o que vocês fizerem. Ele é um lado meu... e essa dama, essa lua! Essa lua é outra parte minha. Quando eu quiser eu escondo os dois com muitas nuvens... e ninguêm vai ver! Vocês também não são assim?"

(Estudo) Cheio de promessas.

"Março em meus olhos
o rosto melado de sal
e a boca cheia de promessas"

sábado, 18 de junho de 2011

Dois poemas

Uma manhã de casado

A pomba abre suas asas esfogueadas
seu fruto acre, molhado ao nascente
farfalhando sua branquidão rósea
é maçã doce, presa nos dentes

O pavão abre sua calda emplumada
seu bico vermelho é a luz do meio-dia
chamuscando seu coração azul.
                                                              [magia]

Mil noites de casado


A sombra abre suas pernas inchadas
seu sebo seco, encharcado ao poente
exalando sua podridão negra
fede ao veneno de uma serpente

O corvo abre sua alma apagada
seu bico caído é a morte do dia
murchando sua agulha vermelha
                                                           [monotonia]

Jantar. (estudo I)

Cercada pelos mais caros artistas
a natureza-morta em cima da mesa
Na sala, a aristocrata bem-vista
serve na prata as nossas cabeças

Novos rascunhos.

"Meninas desengonçadas", ou "Sob a luz de um lampião de esquina".
Um sonho que tive com Pedro Ogata e sua família
Artur na Terapia

terça-feira, 24 de maio de 2011

Cena (Flor Amarela) feita para as Oficinas do grupo XIX (estudo)

-Vou te dar um beijo de outono
seu rosto é um sol morto
minha boca um céu pálido

Eu morrí nessa época do ano
Mas vou nascer na primavera... e pra sempre continuar a verdecer!!



Caiu uma gota apressada
na testa do concreto batido
as gotas escorrem geladas
no meio do meu peito de vidro


Nasceu uma flor amarela
no peito da terra crua
as raízes andam nas linhas
da palma da minha mão nua


Caiu
no peito
as gotas
de uma palma

dessa palma batida!

Borocochô

Auto-retrato tristinho.

Muitos rascunhos antigos ( primeiro semestre de 2009)


Muitos Pedros Augustos (Rascunho meu e de Deni Lantz)
                   
Mayra Mattar

Luiza Batalha

Bia Diniz

Helena Yambanis com um machado na mão

Auto-retrato no café-pequeno

Pedro Paes no bar

Felipe Catalani na Pça Benedito Calixto

sábado, 14 de maio de 2011

Vestido branco de renda

Guardei atrás do meu peito de aço
os seios fartos de uma mãe-áfrica
dos que acalmam o primeiro choro
e derramam leite pelo Paissandu

Arranquei com as minhas mãos de peão
os cabelos de uma estudante virgem
das que usam meia-arrastão branca
e ocupam os telefones de toda a cidade

Cobri com os meus pelos escuros
a boca de uma vizinha miúda
das que chamam Edith ou Gertrude
e clamam sussurros por todo o cortiço

Escondi nas minhas rugas de macho
os olhos de uma bacante profana
das que carregam o tirso entre as pernas
e cavalgam nas trevas da Rua Augusta

Eu tenho um vestido branco de renda
guardado na gaveta do meu armário
Eu tenho mil mulheres diferêntes
presas dentro do meu espelho

Rascunhos

Projeto de bonéca (Lua Cigana)
                                                        

Rascunho do Grupo 4KG
                                                            

terça-feira, 26 de abril de 2011

Moça Linda Bem Tratada

     Mário de Andrade por Anita Malfatti



Hoje andando pelo centro da cidade acompanhado por um amigo,; li um poema maravilhoso desse homem maravilhoso e resolví aproveitar para homanegeá-lo. Mário de Andrade me inspira muito, sou apaixonado pelas poucas coisas que conheço de sua obra e mais apaixonado ainda pelas coisas que desconheço, pois sei que terei o grande prazer de desfrutar delas um dia!!! Saúdo aqui a obra desse homem que com certeza foi um dos maiores intelectuais brasileiros.

"Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.

Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.

Mulher gordaça, filó,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência...

Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta do pobre arromba:
Uma bomba."

Samba de um coração ( estudo sobre São Paulo I)

Cai a noite sem estrelas
garoa fina, um negro véu
São Paulo, terra faceira
cama de gato, tigre de papel 
                                           [ Já nascí de sapato

Sem carrapato
homem sensato, fincado no chão
sou da cidade, sou porta-retrato
sou marca-passo, na multidão
                                            [ sou mais um coração

Que bate forte,
No corre-corre da Praça da Sé
Lá onde os mambembes dormem
na catedral, boa de fé

                                              [Eu tenho samba no pé
E sangue e quente,
Chapéu de Lata, apito na mão
eu sou timão, eu sou dessa gente
da correria, do ganha-pão

Eu sou mais de  um coração.

10/2010

Rascunhos e tentativas sem Pretensão.

Tentativa de desenhar Rodrigo Mercadante

Cenário montado por mim em oficina do Teatro Ventoforte

Tentativa de desenhar Andre Cesar

Tentativa de desenhar Ilo Krugli

Tentativa de desenhar Pedro Ogata

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Flor Amarela (estudo I)

Nasceu uma  flor amarela
no peito da terra crua
as raízes andam nas linhas
da palma da minha mão nua

Nasceu
no peito
as raízes
de uma palma

de uma palma crua

domingo, 24 de abril de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011