sábado, 14 de maio de 2011

Vestido branco de renda

Guardei atrás do meu peito de aço
os seios fartos de uma mãe-áfrica
dos que acalmam o primeiro choro
e derramam leite pelo Paissandu

Arranquei com as minhas mãos de peão
os cabelos de uma estudante virgem
das que usam meia-arrastão branca
e ocupam os telefones de toda a cidade

Cobri com os meus pelos escuros
a boca de uma vizinha miúda
das que chamam Edith ou Gertrude
e clamam sussurros por todo o cortiço

Escondi nas minhas rugas de macho
os olhos de uma bacante profana
das que carregam o tirso entre as pernas
e cavalgam nas trevas da Rua Augusta

Eu tenho um vestido branco de renda
guardado na gaveta do meu armário
Eu tenho mil mulheres diferêntes
presas dentro do meu espelho

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