quarta-feira, 29 de junho de 2011

Poema para esse ano. (estudo... primeira metade)

Meu coração de janeiro
o ventre quentinho de sol
e a boca cheia de promessas

Fevereiro beija meus lábios
sou serpentina girando no ar
suor, batom e cachaça
refletem os olhos de um máscarado

Março em meus olhos
o rosto melado de sal
e a boca cheia de promessas

Abril enrola meus cachos
sou um céu azul-clarinho
nuvens, cascas e folhas secas
cobrem o coração de um viajante

Meus dedinhos de maio
são mãos que trabalham.
E a boca mastiga promessas

Junho me chama para dançar
sou fogo esquentando suas mãos.
Frio, sardinhas e vinho quente
abraçam meu peito roceiro

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Trechinho de " A dama e o Capitão"... criando nas oficinas do vento. (estudo)


"O ator caminha tranqüilo até uma cadeira que está parada no meio do palco, senta-se, e diz:
Com licença queridos... Agora quem fala é o ator....
A onde está você? ( o ator fecha os olhos e permanece sentado) A verdade é que desde que o dia apareceu, nosso capitão sumiu dessa história. Foi embora. Se esfumaçou. Assim que a noite se foi, ele foi junto, e agora o ator não sabe mais o que fazer.
(pausa longa)

(entra caminhando pelo palco o espectro de um capitão)

Bate na proa do meu barco
uma onde de m'água salgada
as estrelas são carpideiras
e a lua chora sangria

Meu coração já sal
escuta um canto nas veias
e a sereia veste uma anágua
com algas da maré-cheia

Ele continua aqui, não é? palpitando atrás daquele sol imenso que sempre vai estar lá em cima... (o ator de repente se vira e veste um chapéu e dá uma looooonga gargalhada de velho lobo do mar, e aos poucos vai cobrindo o rosto com um chapéu amarelo até voltar a ser o ator)
Ator:
Não interessa o que vocês fizerem. Ele é um lado meu... e essa dama, essa lua! Essa lua é outra parte minha. Quando eu quiser eu escondo os dois com muitas nuvens... e ninguêm vai ver! Vocês também não são assim?"

(Estudo) Cheio de promessas.

"Março em meus olhos
o rosto melado de sal
e a boca cheia de promessas"

sábado, 18 de junho de 2011

Dois poemas

Uma manhã de casado

A pomba abre suas asas esfogueadas
seu fruto acre, molhado ao nascente
farfalhando sua branquidão rósea
é maçã doce, presa nos dentes

O pavão abre sua calda emplumada
seu bico vermelho é a luz do meio-dia
chamuscando seu coração azul.
                                                              [magia]

Mil noites de casado


A sombra abre suas pernas inchadas
seu sebo seco, encharcado ao poente
exalando sua podridão negra
fede ao veneno de uma serpente

O corvo abre sua alma apagada
seu bico caído é a morte do dia
murchando sua agulha vermelha
                                                           [monotonia]

Jantar. (estudo I)

Cercada pelos mais caros artistas
a natureza-morta em cima da mesa
Na sala, a aristocrata bem-vista
serve na prata as nossas cabeças

Novos rascunhos.

"Meninas desengonçadas", ou "Sob a luz de um lampião de esquina".
Um sonho que tive com Pedro Ogata e sua família
Artur na Terapia