quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Direção.

Sou quem busca um peixe dourado nos charcos
repleto de mofo em minhas chagas molhadas
escuto na floresta bezerros chorando
caminham em marcha sem ter um pastor

Os olhos embriagados de vertigem
flanam pela sombra da corda-bamba
por onde me equilibro carregando
um estandarte de idéias esquecidas

Ao romper o ventre pálido da minha mátria
manchado de sangue, versei gritos secos
cirandei meus olhos em volta do mundo
e vi que nasci quando a esperança morreu

Rosa das quatro setas vadias,
apontai uma direção a esse povo perdido!
nômade na veneta e sofrido na memória
nosso trópico de farsa,
sul do mundo...

vóssa casa.


Dedicado a Pedro Augusto Pinto, meu flâneur preferido.

Um comentário:

  1. Está lido, relido e amado - a dedicatória não é vazia, senti colocações praquele poema que eu te mostrei, e você tinha gostado. E boas colocações, porque eu, na minha prolixidade tão racional, discurso com aquilo que vejo; mas você cria imagens belíssimas e muito claras, todas expressivas e fortes. E isso sem deixar pra lá as próprias palavras, não é? Sem deixar de fazer trocadilhos, neologismos e outras possibilidades importantes.
    O ritmo, particularmente o da última estrofe, também está bem legal.
    Só senti falta das suas rimas.

    ResponderExcluir