domingo, 4 de setembro de 2011

Ave poema

Canta ó musa! a cólera dos não-poetas!
Filhos do dia-dia, que incontáveis males trouxe às hostes dos Josés
Libertai esse pedaço de nada... Hóstia nossa de cada dia!
Transforma esse pão em um fruto verde
"pois a cor verde é a mais verde que existe".

Ave Maria dona de casa!
Ave Joana com teus filhos nas mãos!
Ave Angélica e teus olhos em lágrimas!
Ave Geni e seu corpo no chão!
Ave Baleia desidratada!
Ave a boca de Patrícia Galvão!
Ave as mulheres no meio do nada!
Aves que rasgam o meu coração

Verso, mostra que és maior que nossos poetas de salto
valei-nos de toda tua grandeza, além do além de teus fazedores
Livrai-nos do mal que existe nas águas de Narciso,
Venha a nós, ao nosso jardim
que seja feita toda a tua vontade:

Amem

muito!

Um comentário:

  1. bom...sobretudo o primeiro verso...a invocação a musa e a colera dos não-poetas...interessante a presença dessa invocação clássica relacionada a colera (lembrando o inicio da Iliada e a colera de Aquiles), mas no caso uma colera de não-poetas, e não de um heroi (de um anonimo, em oposição a um mito)...é raro encontrar esse substrato classico nas poesias de jovens de hoje, mostrando que o prosaico pode ser mesclado com o erudito...e a reflexão metalisguistica sobre o verso, na ultima estrofe, tambem me chamou a atenção...parabens!
    Felipe Campos Azevedo

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