quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Faniquito

Sinto bolir um faniquito eterno
centrado na boca do ventre
dá um nó na veia cava
e me faz ranger os dentes
                                       [ Resolvi procurar um médico]

-Doutor, estou com piriri na essência
Tudo que miro germina em revanche
meu coração sapateia de costas
ao receber toda a avalanche
de sons, toques e imagens perigosas
de copos, peitos e homens vazios
de rebentos sem amor
e versos sem pavio

My dear doctor, ayuda me por favor!
estou com impassividade aguda
tudo que reluz transformo em esgoto
e o que é mangue transformo em piscina
faço o vinho virar água
e a água virar sangria.
Me de um remédio doutor!
para curar meu faniquito
de inquietude da vida
e fraca filosofia.

                                                 [O médico me olhou sisudo]

-Publique um livro de poesia!


                                                                                                  Dedicado a Eduardo Marciano