sábado, 29 de setembro de 2012

Corrida de Obstáculos

                                                                                                             Para a Loirinha, é claro...
"Quando eu tinha seis anos    
ganhei um porquinho-da-índia
que dor no coração me dava
porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
levava ele para sala
para os lugares mais bonitos, mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria estar debaixo do fogão!
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
-Meu Porquinho-da-índia foi minha primeira namorada."
Manuel Bandeira; Porquinho-da-índia


         Na lira dos meus sete anos eu me apaixonei perdidamente por uma menininha do colégio. Tinhas os cabelos dourados de margarida, os olhos cor de mar gelado e a pele branca de cocada. Era completamente apaixonada por mim e eu era louco de amores por ela; passeávamos de mãos dadas pelo recreio e eu inflava meu peito exibindo a minha maturidade precoce. Quando acabava a aula eu chegava na minha casa e fazia desenhos e mais desenhos do nosso casamento e dos nossos filhos, na minha cabeça já passava o sonho da Casa Própria, as viagens às Colônias de Férias, a aposentadoria, ai a aposentadoria... Como é bom sonhar com uma velhice tranquila cheia de netinhos em volta da cadeira de balanço. Criava mundos. Sonhava demais, e seguia feliz assim no auge da minha mocidade.
          Um dia, em uma aula a onde toda a minha sala estava sendo alfabetizada, aproveitei que já sabia escrever um pouco e tracei um "eu te amo" no meio de um grande coração cor de rosa que desenhei em um papelzinho. Passei escondido para ela com uma ansiedade me transbordando os beiços. O bilhetinho foi passando e passando até chegar naqueles dedinhos brancos que repletos de risadinhas femininas lentamente abriram o papel. A hora era essa! Eu finalmente assinaria o contrato, ela ia retribuir, a gente ia se casar, teríamos filhos e viveríamos juntos para sempre. Aconteceu, o papel foi aberto! Abri um sorriso! Mas a sua reação foi na hora transfigurar seu rosto delicado de uma risada envergonhada para um olhar  de susto que eu nunca vou esquecer, logo em seguida ameaçou chorar, esboçou também uma reação de pânico e desespero, levantou o braço pedindo para ir ao toalete e nunca mais falou comigo.
        Cheguei em casa muito tristinho, meus pais sempre atentos e preocupados me perguntaram o que tinha acontecido. Eu (na minha inocência de criança) contei. Dai eles me ensinaram que no amor existe uma hierarquia, quer dizer, não se ama assim logo de cara... É preciso primeiro gostar, depois adorar e por fim quando o sentimento já está bem curtido você pode finalmente, sem assustar ninguém, falar de boca cheia um belo de um "eu te amo”. Disseram-me também, que esse negócio de amor a primeira vista não passava de molecagem, e que isso na prática não funcionava, pois para amar alguém era preciso primeiro conhecer bem, conseguir se adequar e ser parceiro na convivência com aquele outro ser. Achei aquilo muito estranho, minha tristeza virou uma confusão na minha cabeça de criança. Resolvi ligar o televisor para esquecer aquela loucura toda.  Era ano de Olimpíadas. Vendo a torcida gritar em torno de uma grande pista marrom passei a olhar o amor como a reta final de uma corrida de Obstáculos, a onde eu era o atleta e a hierarquia do sentir eram os muitos e muitos metros e as muitas e muitas barricadas que eu teria que superar nessa corrida.
       
        Não funcionou entender... É difícil funcionar assim. A história com aquela menina de cabelos de margarida se repetiu com outra de cabelos mais dourados ainda. Daí fico pensando se esse amor de gente grande é para mim. Não gosto dos obstáculos... Gosto de amar e pronto. Pois nessa corrida eu sei que sou o atleta mais rápido do mundo; Em um piscar de olhos já pulei as barricadas, já venci os finalistas e termino comemorando sozinho no "Eldorado do amor". Mas de que adianta comemorar sozinho? De que adiante encontrar o "Eldorado"? Coloco tudo isso em mim, mas compreendo a rapidez do coração humano, quer dizer, acho que o medo de ganhar as flores individuais faz com que a luta seja justamente para se atrasar e não ultrapassar seu parceiro de corrida. Correr junto, não é? Mas eu não consigo isso... Peça-me tudo, mas deixe-me correr! Deixe-me chegar logo na reta final! Meu coração é um furacão perdido pela cidade, meu coração é um campeão cheio de flores comemorando o amor! Mesmo sozinho ele fica te olhando de lá... Te vendo aprender a me amar, te vendo correr em câmera lenta sobre as direções da pista. Te vendo... Mas só te vendo?  Te peço mais uma coisinha: Não me deixe assim por muito tempo, eu sou capaz de correr ainda mais longe. Nessa longa corrida de obstáculos de uma coisa eu tenho certeza...
-O amor da Lebre não é melhor nem pior do que o da Tartaruga. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Três Filhas

                                                                                                              Dedicado às filhas de minha avó

          Eram três filhas. Três pequenas meninas que cresceram sob os lençóis passados por aquela Senhora. Senhora cuidadosamente mãe, Senhora regradamente de batalha, Senhora filha de São Lázaro e de todo seu sofrimento. Casou-se aos dezessete anos com um Homem de trinta e cinco cuja história antes desse caso nunca foi conhecida (eu mesmo, autor desse conto, não sei nada sobre ele). Aliás, a história desse Homem só começa na tarde de Agosto em que ele entrou na casa dessa Senhora ao lado do pai dela. Serviram café, bolo de fubá, e no fim da tarde o mandaram escolher a mulher que o acompanharia dali até o fim de sua vida. Ela foi escolhida. Amor à primeira vista? Amor depois de muitas vistas. Não vou dizer que ela não o amou, ou vice versa, mas vamos lembrar que os mais adaptados sobrevivem e depois de cinquenta anos de esforço na vida a dois a gente aprende a amar com a mesma facilidade que a gente aprende a odiar.
          Você agora deve estar pensando "Que terrível!", "Que horror!", mas não me pare nesses julgamentos. Lembre-se que não é de hoje que o casamento se tornou uma relação de negócios entre duas famílias. Bom... Se olharmos por um lado, nesse caso a aplicação do ritual foi  muito mais coerente do que muitos casamentos encharcados de desculpas de sentimentalismo que ainda ocorrem hoje em dia, Não é? Mas, enfim, estou divagando, vou voltar a falar da Senhorinha e de suas três filhas.
           A primeira filha nasceu quando a Senhora ainda era nova. Aprendeu a cozinhar desde cedo, vendo a mãe e as tias picando alho e cebola na boca da pia. Não demorou muito e era ela quem cozinhava nos almoços de domingo... Tanto que quando não era ela, toda a família se doía no estômago de saudade dos seus pratos amorosos. Era daquelas pessoas que nasceram para acarinhar e cuidar dos outros, uma natureza típica das vovós e das titias. Cresceu, começou a cursar a faculdade, mas largou para casar-se... Não demorou até mais tarde ser abandonada pelo marido. Daí não tinha jeito, acabou não ascendendo, continuou vivendo nas quebradas do mundaréu, mas tocou a boiada vingando na sua natureza de avó e tia. Por exemplo, na velhice ensinava a molecada da rua da frente a ler e depois se juntava com sua vizinha para falar da rua inteira, fazendo fuxico e contando da vida. Sempre foi católica, mas mais tarde se apegou ao terço e passou a rezar bastante. O pó branco da velhice já ia pintando seus cabelos, passou então a se dedicar inteiramente a criação de um neto lindo, que deu frutos ao mundo com sua bondade de espírito sempre viva nos filhos de vó.
          A Segunda filha nasceu com a senhora nova também. Mas já meio madura... Já tinha criado dois filhos e sabia o que fazer.  A menina sempre foi do tipo que gostava muito de estudar, era a primeira da sala, usava daqueles óculos garrafais imensos de quem lê demais desde pequenino. Agarrou a caneta, estudou, estudou e estudou tanto que conseguiu entrar em Medicina. Aos poucos, em meio a efervescência política dos anos de chumbo se tornou comunista, panfletária, crítica, agressiva e justa. Como pode ver, ela também nasceu para cuidar dos outros, mas de outro jeito, queria cuidar da banda geral, nasceu para acarinhar a gente da sua gente. O povo que nasceu na batalha e no limbo, perto do lixo e da opressão de gente rica e poderosa. O tempo passou,  veio a abertura política, veio a podridão debaixo do pano, uma democracia dos ricos escondida na aba do politicamente correto. Desiludida, largou a luta vermelha e encontrou uma luta espiritual. Com o tempo foi deixada pelo marido também. Aguentou e resistiu abraçando o budismo e a Yoga, por fim conseguindo criar quatro filhos lindos, amantes da arte e dos seres-vivos.
        A terceira filha nasceu quase vinte anos depois das outras duas irmãs. A Senhora já estava um pouco velha, mas apesar de cansada sabia cuidar de mais uma menina. Essa menina já foi diferente, se tornou a mistura de todas as outras... Sempre estudiosa e caseira, cozinhava e lia, lia e lia que nem maluca tudo o que era livro na frente dela. Resolveu cursar Arte. Os pais não entendiam o que era esse curso, mas já se punham cansados demais para contestar sobre isso; A menina botou a mala nas costas e foi morar com a segunda irmã e, obviamente, sem muita demora virou comunista. Mas foi rápido. Decidiu que o melhor jeito de cuidar dos outros era virando professora, assumiu isso no peito e deu vinte anos de aulas de arte em escolas públicas. Teve a primeira filha cedo, voltou a viver com a mãe na casa em que cresceu. Batalhou duro e colheu os frutos de sua peleja se tornando uma professora Universitária. Foi também abandonada pelo marido e teve que aguentar com sua força o aprendizado de viver sozinha. Mas superou, se apegou ao espiritismo e se consagrou criando dois filhos atuantes da arte e da igualdade social.
          A vida foi levando a senhora e essa três meninas. As três já nem se viam muito... Era raro, uma vez, duas vezes, três vezes por ano no máximo. Se viam quase sempre para agradar a Senhora em festas comemorativas, natal, ano novo, festa de aniversário, ou mesmo apelando para visitinhas básicas e ponderadas. Cada uma foi levando do seu jeitinho, às vezes, refugando uma a outra, ás vezes, esquecendo o quanto em sua estrutura eram iguaizinhos. Mas continuaram se amando... se amando de longe, pois, ás vezes, a vida leva a gente para longe.
          Aquela Senhora, mãe dessas três meninas, foi uma ótima esposa até o dia em que, afetado por um câncer, na altura da velhice o Homem morreu.  Teve mais muitos filhos fora as três. Dois falecidos, um morreu recém-nascido, outro na lira de seus vinte anos. O pai dela se suicidou cedo, provavelmente por dívida de jogo. A senhorinha resistiu. Aos setenta anos criou os netos na mesma casa em que criou os filhos; Casa que depois de tanto tempo já estava caindo aos pedaços e a filha que ainda morava lá não tinha um tostão furado para reformar, depois de fazer um pé de meia, a filha se mudou e levou os netinhos. Os outros filhos cheios de boas intenções tiraram a senhora da casa e a colocaram em um apartamento a onde ela poderia ter mais tranquilidade. Como solução a casa, reformaram... Mas reformaram tanto que transformaram em um estacionamento. Não muito tempo depois a cólera guardada pelos oitenta anos de vida dessa senhora manifestou-se em um câncer no estômago, e ela padeceu.
          Pois bem, era a hora. Era esse o momento em que as três iriam retribuir a criação de sua mãezinha. Não foi diferente. Retribuíram. A filha caçula, depois de ter sido abrigada tantos e tantos anos na casa da mãe, colocou a senhorinha dentro de sua casa, na sala de jantar, montando um quarto de hospital com biombos e tubos, porém, com mais cuidado e carinho do que os quartos hostis dos hospitais públicos. A filha do meio, veio de outra cidade para passar alguns meses ao lado da mãe enferma, era médica e sabia como ajudar. A filha mais velha veio para ser quase enfermeira naquele fim de ano que a senhora padeceu e, sabia como distrair a mãe com suas conversas e lembranças. A Senhora estava magra, com uma barriga inchada, com os olhos mais verdes do que nunca, tendo que botar goela abaixo aquela papa amarela que davam para ela comer... O estômago não funcionava mais, não tinha como se alimentar, era sofrer, cuidar e resistir. Mas não tinha problema, se alguém sabia o  verdadeiro significado dessas palavras; Esse alguém era ela.
          Foram três meses em que na noite escura ela gemia de dor pelos corredores da casa. As filhas perguntavam:
-Mamãe, você está com muita dor?
-Não, minha filha, não estou sentindo dor nenhuma.
 Mas aqueles gritos que ela deixava escapar enquanto dormia condenavam que, na verdade, a senhorinha só não queria dar trabalho para ninguém. A vida inteira ela não tinha dado trabalho... Porque o faria agora?  Em uma madrugada de Janeiro que ela gemeu demais, pediu ajuda, disse que estava com dor e quis ir ao médico. Ela ia morrer. Mas sei que ainda não tinha assumido isso para si mesma. Foi para a ala hospitalar e passou quase um dia inteiro desacordada na cama sem ceder. As três meninas, todas quietas se punham em volta da cama. A primeira filha rezava o pai nosso, a segunda rezava um mantra budista e a terceira fazia uma prece kardecista. Uma áurea lilás subiu por cima da cama em meio a todo aquele burburinho e, em um suspiro quebrado ao meio, a Senhora morreu.
          A vida continuou. A vida tem que continuar... Mas nos olhos negros dessas três meninas agora há o tempo de chuva trovejado por aquela Senhora. É da chuva a vida dessa Senhora, é do vento a vida das minhas tias, é do trovão a vida de minha mãe... Eu fui criado pelas noites de temporal. Quando chove sei que a água está em mim, é ela que encharca as minhas palavras. Na ventania vejo as minhas mulheres. Mas elas não são minhas, eu que sou delas, eu que sou do vento.

domingo, 16 de setembro de 2012

Amar e endurecer/Conversa com o Espelho.

                                                                                    Aos meus companheiros de viaduto

       Olhei para o espelho na manhã de ontem e pensei:
-Não dou mais para poesia, hoje sou um tiquinho d'água. Logo eu que sempre fui o rio cheio de charcos, logo eu que sempre fui os ramos que puxavam, logo eu que era a tal cabeçada de um mulo que levou a noiva para a floresta escura, logo eu que nunca daria filhos e uma vida tranquila. Eu que sempre fui das cachoeiras a queda mais alta, eu que sempre fui a correnteza amedrontadora, eu que sempre fui o maremoto destruindo o barcos do meio caminho, eu que sempre fui a parte mais abissal do mar... Eu era a perdição. Fazia o chão de meus amores rachar ao meio, roubava as donzelas, matava dragões e agora... Agora eu me tornei, sem saber como um tiquinho d'água.
       Não sou mais Leonardo, agora sou o Noivo. Diurno e aterrado nos meus sonhos de futuro, sem nome... Só noivo. Vivendo para ser noivo, comendo como noivo, fazendo deveres de noivo, preparando as bodas para o orgulho de mamãe. Tiquinho d'água... ai tiquinho d'água que sou!
O reflexo respondeu:
-Toma vergonha rapaz! Levanta essa cabeça que tua barba já cresceu! O que há de mal em ser o noivo? Cumprir com os regrados deveres de noivo? Você agora deve zelar, amar, respeitar, acolher, buscar em casa, levar em casa, cuidar na bebedeira, ser compreensivo, entender, vestir o pijama! ai o pijama... Eduardo Marciano te avisou- Deus, livrai-me do pijama!- e você não escutou, melhor, você escutou bem e isso só te deu mais vontade de ser o Noivo para poder escrever um romance que nem o Sabino... Você não passava de um poetinha de quinta! Você não passava de um intelectualóide de mesa de bar, a única coisa que te dava a felicidade era puxar angústia embriagado de ego em cima de viaduto junto com teus camaradas... Mas e agora? Cadê teus camaradas? Cadê tua angústia? Cadê o ego? O Viaduto desabou e você ficou olhando. Hoje você só trabalha e não encontra nem tempo para ser noivo... Imagina só para ser camarada! Ou para ser poeta, ou para ser intelectualóide de mesa de bar.
          Eu olhei choroso:
-Minh'alma tiquinho d'água não dá mais para poesia...
Ele respondeu:
- Ai, como você é insuportável! "minh'alma tiquinho d'água não dá mais para poesia", ainda se dá ao luxo de ser dramático e tentar fazer poesia admitindo que não é mais poeta. Agora você é um noivo. Contente-se com tua posição, pois se contentar é o que fazem os não poetas, e é isso que você é... Um tiquinho d'água, um apoeta. Um Ator. É, um ator... Não dramaturgo, não diretor, não cenógrafo, você é um ator e ouviu a pouco tempo que o trabalho do ator está mais ligado ao de um pedreiro do que de um mestre de obras. Contente-se sendo um ator. Pois já é coisa demais(e gente adulta não pode ser muito). Você já é o Noivo e o Ator e chega, já está bom. Acabou por aí. Na palavra amadurecer o sufixo é a rigidez e o prefixo é o amor. Ame endurecer, ame limitar-se a não-poesia (que isso não dá dinheiro), ame limitar-se a uma só e não aos grandes e mais grandes amores que você viveu em teu passado de orgias e angústias, ame a formalidade do encontro com teus camaradas encharcados de nostalgia. Ame endurecer.
          Divaguei:
- É, é como disse o Pedrão "A tarde passa,  o porre passa, os quinze anos passam, São Paulo também passou e nós ficamos aqui em silêncio". Ai silêncio que me persegue, balançando na rede da minha casa de frente para a tela branca enquanto a tarde se põe. Mas que não se ponha... Por favor! Que pare de se por agora. Não quero que mais nada passe. Pois o passado fica, ai se fica... A verdade é que com ela é o mesmo. Não quero que passe nossos lençóis amarrotados de paixão, não quero que a Cotovia cante de manhã alertando que devo ir embora. Quero estar com ela. O que quero é ser Noivo, cansei de ser Leonardo, essa máscara já não cabe mais no meu rosto. Não devo nada, não devo cumprir as obrigações de noivo. Faço-as porque amo fazê-las e não sou um apoeta por isso. Vou ser sempre poeta, noivo ou não a poesia me convence e é a minha verdade. Mais do que as bodas, mais do que os camaradas, mais do que o viaduto, mais do que o palco, mais do que o orgulho de mamãe... É ela, é a poesia. Eu posso ser um tiquinho d'água. Mas a poesia... Ai a poesia é o rio cheio de charcos.
O reflexo concluiu:
- Acho que você fez um pouquinho de poesia.

domingo, 2 de setembro de 2012

Poema notívago

Rosa,
Nunca fure o coração de um Rouxinol
ele leva no bico uma semente de maçã
que fecunda os amantes antes do arrebol
A culpa é da Cotovia, minha Rosa
a culpa é da Cotovia...
É ela o Arauto da manhã
que canta a desafinada toada do dia

A noite é uma mulher.
bebo dos teus seios de lua cheia
no teu olhar encontro as três Marias
mas me perco do cruzeiro do sul
quando me deito na cama da poesia

Assim me Pergunto,
Como não me assumir notívago?
Como não odiar a Cotovia?
Até você, minha Rosa, é traidora
pois só abre quando o sol luzia