sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Amor, Insuficiência do Ego.

        Deixo de ser Leonardo, deixo de ser o Noivo e me torno hoje a Noiva, macia e com pescoço de dália, fácil de se cortar.... Só com essa pele de pétala pude entender no corpo as palavras de Garcia Lorca saídas da boca da Noiva em Bodas de Sangue. "Eu não queria, escuta bem! eu não queria! Teu filho era o meu fim, e eu não o enganei; mas o braço do outro me arrastou como um golpe de mar, como a cabeçada de um mulo e teria me arrastado sempre, sempre, sempre (...)". Nessa manhã novembrina, após fundar a lápide de um relacionamento me senti a mulher abrasada cantada pelo poeta espanhol. Isso porque na maior parte das vezes eu não queria estar com " o outro". Sabia, aliás que  era melhor não estar. As vezes pensava- Oras, mas ela tem muitas travas! deve ser só amor de ocasião- Mas percebi no meu jeito de noiva posteriormente que  não era amor de ocasião, o que eu sentia era amor... Amor de verdade. Por mais que eu não quisesse, aquela menina era " o outro", sentia dela a cabeçada de um mulo, o golpe de mar que levou a noiva, o imã equivocado que atrai os opostos e eu, não passava de um cão que abaixava as orelhas e aceitava voltar, lambia os pés e me punha patético perto de minha "dona". Mas nem assim funcionou. Nem eu nem ela suportamos a tempestade dos nossos olhos... Mas eu me pergunto: Será que suportaríamos uma só gota de lágrima? Pois no fundo, sei que o que gostamos mesmo é de emergir de uma maré salgada.
       O amor existe, mas não funciona. Temos o combustível mas a máquina está quebrada... Daí não vai para frente, afinal de contas  um carro não anda só com seu combustível. Fico pensando... Logo eu que não acredito direito em Deus! Logo eu que não acredito direito em Marx! Logo eu que só acreditava no amor. Fui traído pelo destino que mais uma vez não me foi carinhoso. Só amor não basta? Talvez não baste. Enchi meu peito de cicatrizes sorridentes, tornei-me contínuo e perpétuo arrastado entre as brasas que arrancavam minha pele no labirinto de um amor menino (amor impossível). Degustei da sensação dolorosa de perder-me entre os dentes do afeto sem suportar o que é concreto em um relacionamento e me entreguei mudando meus hábitos pueris. Não funcionou. A máquina não funcionou. Hoje entendo- Só amar basta pouco.
       O que será que será essa coisa que não sei botar em palavras? Nós abríamos a boca e o mundo se desmoronava, mas a bandeira luminosa celeste regia nosso corpo sobre o corpo do outro e nós finalmente nos entendíamos. Nosso entendimento existia em um âmbito que fazia o milagre divino da consciência incapaz de torna-lo possível. Pois é... Nada basta para nós... Percebi que o ego é capaz de sobrepor esse sentimento. Pois nem eu nem ela cedemos ao amor e, talvez, seja mesmo o certo a ser feito. Mas ainda assim, mesmo sendo certo acabar, sendo certo sofrer pelo ego... Eu, na minha ingenuidade apaixonada ainda me percebo a noiva. E garanto que, se em em meu casamento ela surgir, eu mesmo vou preparar os cavalos para corrermos juntos até a floresta escura a onde a morte nos chama.

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