terça-feira, 20 de novembro de 2012

Glória ao Passado

O que gorjeia a iminência das massas?
O que celebram os dias de glória?
Olhando os marcos da historia
me torno flutuante no espaço
Não quero caminhar pelas praças 
nem levantar os meus punhos de aço
somente insisto em clamar no encalço:

Abaixo a família!
Abaixo a carola!
Abaixo o imperador!
Abaixo o operário!
Abaixo o torturador!
Abaixo o alforriado!
Abaixo o vagabundo!
Abaixo o pacifista!
Abaixo o republicano!
Abaixo o ser humano!
E seus tantos mantos de horror...

-Mas ora diacho!
Quando digo abaixo... Não me rebaixo?

Olhando a vasta andança do gado
se aproximando no vão dos meses
enxergo todos como velhos fregueses
e dou graças ao feriado:

Evento de Dezembro
na terrinha de frigideira
que se queimem seus pinheiros
que falte pão na nossa ceia!

Novembro,
Te proclamo a "rés pública"!
que te trepem! que te urinem!
Será a sua serventia única...

Candeia Outubro branco
mês derretido em sete dias
as beatas te levam nas mãos
em torno da Aparecida

São largos os bigodes Setembrinos
que erguem a espada do imperador
são verdes os capacetes da pátria
que levantam os fuzis do senhor

Agosto,
És imenso e negro
não mereces muitos versos
mereces um descarrego!

Julio Cesar,
fizeste algo que presta...
tua maior conquista de guerra
foi proclamar um mês de férias

Chora meu Junho quilombola
a melanina de seus guerreiros
sob a áurea do dia da raça
vejo um eterno cativeiro

Maio,
Suas semanas só tem um dia
são as veias abertas de sangue
são as mãos de martelo feridas

Abre alas herói vazio
o estandarte da república é sua cabeça
segue fincada no primeiro de Abril
o verdadeiro dia da inconfidência

Março,
por onde tuas águas me levam?
Para um golpe de tortura em seu ultimo dia?
Quero ficar cego em sua vã poesia...

Fevereiro mascarado de três dias
mostra seu rosto e eu rasgo a fantasia!

Confraternize universo
desejando a paz em Janeiro!
que o próximo mês está perto
e depois dele o ano inteiro.

E na passagem de ano volta a boiada...
Volta o gado, volta o feriado,
Conjugam um brinde de glória ao passado
e erguem suas taças repleteas de nada

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