sexta-feira, 24 de maio de 2013

Caleidoscópio

De olho no caleidoscópio
miro pupila atrás de pupila
cada uma, uma vida,
cada vida um pedaço de espelho
cada vidro um equinócio
cada olho um mar vermelho

Preso no mesmo universo,
                                                                 [complexo de exageros]
Rodo minha vista entre os cacos cortados
mas prendo meus olhos no caco do meio
Lá vive o meu velho refléxo,
lá vive um passado terreno.

Há nesse universo a ternura ardilosa
de um olho cor de conselho.
me diz palavras saborosas
e abre um semblante sereno

Há do outro lado uma raiva ditosa
de um olho mais carcereiro
A vista é escura e viçosa
e o fruto é podre no seio

Roda a mira melindrosa
que dança pelo centeio
cada vidro uma vida minha
cada pupila um exagero.

De olho no caleidoscópio
rodo a ciranda dos permeios.
e vendo tudo tão microscópico
Percebo que a vida é uma sala de espelhos.

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