quarta-feira, 12 de junho de 2013

Homem delicado

De escárnio vivo crispado
entre as mazelas do romantismo.
Sou eu, sentimental, entregue,
o  mesmo.
O mesmo animal alegre
vivendo de platonismo

De longe, Ofélia me olha,
e já quero ser pai de seus filhos
se Isolda por carinho me abraça
lhe entrego as canções de amigo
se tomo um beijo de Julieta
enxergo uma vida perfeita
dividindo comida e abrigo

Mas não são atraentes os delicados
muito menos os de peito machucado.
É preciso ser homem
daqueles que cospem
que coçam as partes
que bebem, fumam, que comem,
e que mascam charuto apagado

No entanto, vou de sonhos,
vivendo meu eterno pecado.
Sou aquele que vira monstro,
e quando a lua se enche de gosto
devora o ser amado

Um comentário:

  1. Tenho gostado muito de seus poemas, verdadeiros! Sigo-os!

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