terça-feira, 9 de julho de 2013

Poente

Estou doente.

O corpo já não resiste
aos anseios da mocidade
e meu eu que não desiste
das instantâneas felicidades
é invadido pela patologia
das grandiosas enfermidades

Já fui decente.

Mas isso já não existe...
foi uma mera falsidade
hoje só vivo o limite
da minha terrena identidade
contrária das liturgias
e cheia de imaturidade

Sou um carente.

Com os olhos cor de triste
tomados pela sensibilidade
que hoje sei que consiste
na falta de jovialidade,
na falta de ideologia
e na ausência de boa vontade

Sou um grande expoente

da doença que subsiste
nessa imensa sociedade
carrego essa arma em riste
pronta para fazer maldades
com toda essa gente sadia
e escassa de maturidade

Quero o poente

Da luz acesa por ti
só na lua existe a verdade
que acaba com os cacoetes
presentes na claridade.

O que quero é  findar as heresias
e finalmente fazer a passagem...

Ser e Estar

Recuso ser
O incormável homem de punhos cerrados
O sacerdote negro de vinho e corpus
O indomável catastrofista pós-moderno
Os malditos americanóides do Green Peace
Os infernais europeus da academia
O maldito esfomeado nordestino
O sedento desgraçado africano
O paulista constitucionalista
O mineiro inconfidente
O punk, o junk, o funk, o sambista yankee
e qualquer outra assinatura de revista...

Devo estar
Na massa sedenta por pão e terra
Na missa sedenta de vinho e hóstia
Na domini catastrofe contemporânea
Na salvação das baleias
Na aplicação da pesquisa
Nos institutos sociais
Na luta pelo apartheid
Na revolução,
Na federação,
Na dança dos punks, dos funks, dos sambas yankees
e poder assinar as revistas...

Mas não sei ser sem estar...
dizem que para os Russos,
para os japoneses,
para os estadunidenses,
tanto ser, quanto estar,
dá no mesmo pronome indecente

Mas aqui,
onde estão as Palmeiras, onde são os sabiás,
Não se é nem se está...
Da forma que soa o canto de cá
os objetos das frases vem para dividir-me
pois entre a essência e a imanência
o significado de ser é possuir-se