terça-feira, 27 de agosto de 2013

Poeira paulista.

Mesmo que o vapor dos janeiros
invada a Rua Direita
e a expressa chuva dos fevereiros
inunde a Rego Freitas
São Paulo sempre será o inverno
e o paulista uma vela que enfeita,
a transparência dos candeeiros

Sou eu desgarrado do rebanho
que sai das vermelhas estações
onde está teu pastor ovelha de calças?
preso na abstração dos bancos?
nas gavetas das lojas de cambio?
ou nos bolsos do sacristão?

Tu, feto a germinar,
serás paulista, serás culpado,
serás herdeiro dos missionários
e do sangue que Francisco Matarazzo
jorrou  pelos muros Brás

E mesmo que nós arruaceiros
ergamos bandeiras de esquerda
mesmo que morram os banqueiros
a polícia e o velho careta
São Paulo sempre será a espreita
dos corações pouco serenos
banhados de asfalto e poeira

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