segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Quintal

                                                         Para Tiago Liu e Tomás Flores, meus companheiros de quintal

Ao voltar ao quintal
dos vermelhos tomates
das imensas pitangueiras
dos brinquedos jogados
e das aventuras de varal
me percebo menino dos olhos
de pássaro atento
de pé sem relento
e corpo ainda sábio.

É na lembrança do jardim
dos cachorros amarelos
das ratazanas invasoras
das mangueiras jogadas
e dos insistentes capins
que mora minha poesia
provinciana de crise
de imagem sem cabide
e fraca matemática.

E olhando crescer no terreiro
as pragas ameaçadoras
as raízes descabidas
as gramas mal cortadas
e as malditas folhas de abacateiro
seguro firme na enxada
e com mãos de quem trabalha
recolho palha por palha
com ódio da repetição

Mas é nas crises de gramado
nas folhas com lendas
nos tomates com pragas
nas palhas com abacates
e nas desgraçadas raízes capengas
que enxergo a verdade da lida.
É necessário retirar o engodo
pois mesmo caindo folhas de novo
é preciso limpar o quintal.

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