segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Homem de branco

A luz me cega os olhos
e os ouvidos se comovem
com o soar prateado das trombetas
de uma estridente máquina humana.
Lá está o homem de branco
na contra-luz saída do túnel
em uma das mãos armas afiadas
na outra o espelho polido
usado em seus julgamentos

-Fumaste muito!
Bebeste demais!
Comeste doces!
Enfiaste a boca onde não devia!
És tu culpado pelos excessos
e pelo uso das coisas à revelia!

Sozinho em clemência respondo:

-Mea culpa! Mea máxima culpa!
Pequei pela gula, pequei pela cobiça,
só imploro que realize logo esse ato
ou que dê chances a um derrotista!

E o mascarado de branco responde:

Não carrego as forças do mal
nem sou eu, cavaleiro da barbarie
O fato é que na sua arcada dentária
mora uma escura e profunda carie
será necessário abrir um canal
e retirar essa forma solitária.
Depois leve uma vida normal,
e dê o dinheiro a secretária

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