sábado, 21 de dezembro de 2013

Não existem velhos como os das grandes cidades.

Lugar nenhum produz velhos
como se produz uma metrópole.
Caminham entre o café da manhã e o almoço
apertando por baixo do braço seus jornais

Você diz a eles:
-Bom dia!

Alguns respondem surpresos por terem sido lembrados.
Outros curvam as sobrancelhas observando quem chama
e amargamente respondem um grave:
 -Bom dia... (Quando respondem)

Não existem velhos como os das grandes cidades
alguns, muito arrumados, vestem camisas pólo turquesa ou musgo
Outros são como são; Bermudas e varizes clareadas pelas ilhas de calor.

Uns por saudade bebem muito
e clamam ao dono do botequim que tudo mudou...

Outros se orgulham dos diplomas dos filhos
e sentem muita falta ao sentar para jantar.

Mas  todos, quando chega o poente,
cobrindo de escuridão os arranha-céus
se debruçam a esperar a morte
e se arrependem do que deixaram de fazer.

Não existem velhos como os das grandes cidades
Tanto faz se comem croissant
ou se bebem aguardente.

                                                                                              Buenos Aires; Dezembro de 2013

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