segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Rio da Prata





                                                                         Para os queridos; Lázaro e Daniela.










Na calmaria abissal
dessas caudalosas águas azuis
existiam pedras preciosas
e por cada prata retirada por uma mão española
para ser convertida em plata
existiu uma ferida fria e escarlate
escorrendo nas costas douradas de um índio

Na calmaria aflitiva
do meu estômago de turista
existe uma moeda local
e por cada dóllar que troquei em um câmbio paralelo
para ser convertido em Peso Argentino
existiu uma ferida fria e escarlate
cortada nas palmas duras de um boliviano

Aqui estou eu.
Com os pés submersos nas águas vermelhas do Rio da Prata
metade espanhol,
metade selvagem.
Meu pulso direito é pálido e carrega um chicote
meu esquerdo é dourado e carrega um corte de sangue

Não sei se golpeio
não sei se recebo
Mas sei que as águas Porteñas não me podem curar
só podem fazer arder profundamente
minha eterna ferida aberta
de colonizado colonizador.

                                                                  Rio da Prata/Aeroporto EZE/ Dezembro de 2013

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