sábado, 15 de fevereiro de 2014

Marca.



















                                                            Para Luiza Batalha, por conhecer cada uma das minhas marcas.



Nunca te tive tanto
como no dia em que me desenhaste.

Entrelinhas de carvão,
viste minhas marquinhas,
viste meu desgaste...

E eu vi que nunca tanto me amaste
como nas rasuras sozinhas
que rabiscaste pelos cantos
dos nossos anos de amizade.

Enquanto eu posava,
quieto, por contra-vontade,
aos poucos, revisitava,
minha'tua identidade
minha'tua grande saudade
de um tempo que nunca acaba
que deixou minha pele marcada
de tanta sensibilidade

Era tu que me desenhava!
Quem mais conhece minhas maldades...
Aos poucos tu via em meu corpo
tudo que eu tinha de morto
e toda nossa cumplicidade

Nunca vi tanto silêncio
enchendo as ruas dessa cidade
como no dia em que percorreste
as linhas da felicidade
e todo aquele ar suspenso
cheio de fragilidade
me fez ver por extenso
o retrato da minha verdade

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