sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Uma volta

No meu gole de café
concebo a luz de mais um dia
que imberbe guarneceu a vida
na placenta da madrugada
que continua a ser inseminada
por fé e melancolia

E pela tarde ensaboada
de antigas horas divididas
vou partindo a salada
e desejo que cada fibra
mostre a vespertina esperança
que de fala mansa ou calada
o cheiro da terra aspira

Naquela noite fechada
que a dengosa lua clareia
meto uma colher da sopa
no meio da minha imensa boca
que de tão cansada
dormirá na escura badalada
no sonho de uma candeia

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