segunda-feira, 17 de março de 2014

De nada

De nada cativa
o funâmbulo que não trêpita
ao passear pela corda...

De nada interessa
se nesse percurso
com seu guarda-chuva
o artista não indica uma possível queda.

De nada  vale
ser somente feliz
se não caminhar rumo a ser tórpi

É necessário desequilibrar-se
querer matar-se
tropeçar na mais imensa das merdas
e desejar que signifique sorte!

De nada cativa
o sonâmbulo que não estica
os olhos quando acorda...

De nada me inquieta
se no meu busto
a paixão se põe muda
e meu coração não mais se cega

Quero os males
de olhar o meu nariz
fugindo no mais rápido dos trotes..

E se for preciso entregar-me
e finalmente atirar-me
na mais profunda das entregas
escutando o silêncio da morte