domingo, 1 de junho de 2014

Liberdade

                                                                                                                      Para Eleonor, a minha loucura.

É (in)certo
levar-me tão a sério.

Pois se quero
derramar-me pelo mundo
descobrindo absurdo
devo sozinho fundar o infundo

critério

teu corpopermitindo meu…

ai que sodade que deu

quando vi olhos d'outra
e o gosto de alcool
o gosto das ramas
o gosto de teu

ai que sodade que deu

do

teu corpopermitindo meu

e eu assim tão inferno
tão intérreo, tão mistério
querendo os latifúndios
os muros, os murmúrios,

virando surdo

por
teu braçoabraçando o meu

sou teu e sempre teu

mas sou da Itália
sou do teatro
sou do estudo
sou do esporte
sou das línguas
sou da orgia
sou de todas as desculpas
para não me tornar mais um dos seus

A liberdade é minha desculpa
mas só é desculpa...
pois ela só vive se te prendo
pois ao mesmo tempo que não me rendo
também não aguento
assumir a multa
de tornar-me ateu.

                                                                  [Só sou livre da tua gruta
                                                                  quando me prendo no que é meu.]